A muito tempo venho pensando em uma coisa: O que acontece quando mudamos nosso foco para a direção das pessoas? Se ao invés de focarmos em obter mais lucro, mais dinheiro, mais bens, melhores processos, equipamentos mais rápidos, a gente simplesmente focasse na pessoa… na pessoa na forma do cliente, na pessoa e sua qualidade de vida, na pessoa que usará aquele novo equipamento, etc.
Existe um grupo de pessoas aqui no Rio, mais especificamente ligados a TI (desenvolvedores, designers, etc) que proporam exatamente isso: miraram no ser humano. Isso vem galgado no Small Acts (acesse o link e leia pois vale a pena). Ao fazermos isso, centra nossas atenções nas pessoas, os resultados foram surpreendentes e nossas ações tem tido repercussões até inesperadas. São eventos em que, por pura paixão, vamos e levamos toda a nossa “energia” (nenhum de nós ganha dinheiro palestrando, ou fazer qualquer outra coisa afim), são encontros que para muitos parecem organizados e ultra focados como grupos de usuários sendo que na verdade estamos ali para conviver, rever amigos, tomar um chopp e como bons nerds que somos acabamos por falar de tecnologia e similares.
E claro que por vez ou outra surgem boas iniciativas dentro desse encontros e elas, por sua vezes, em alguns casos viram excelentes projetos e ficam famosas. Mais tudo isso acontece não porque se quer ficar rico ou famoso. Mas porque acreditamos sinceramente nas pessoas e queremos levar essas coisas, que consideramos legais, para as pessoas.
Pode soar para muitos como algo idealista e utópico. De certa forma, olhando friamente e tendo como base o “restante” da sociedade, realmente é. Entretanto, quando estamos ali fazendo para nós não passa de diversão. Por muitas vezes, me pus “de fora” e fique observando: parecíamos crianças empolgadas.
Insisto que ainda parece um tanto utópico nesse nosso mundo consumista mas quando o foco deixa de ser o lucro, o processo, a empresa e passar ser as pessoas realmente coisas mágicas passam a acontecer. Isso eu falo e qualquer nível de relacionamento. Se pegarmos uma loja e fazermos com que a equipe foque na pessoa e não no dinheiro do cliente veremos vendas aumentar, satisfação do cliente, aumento da propaganda boca a boca, etc. Se pensarmos em ambientes de trabalho, quando temos gerentes “humanos”que focam na pessoas de seus funcionários e não os encara como recurso, todos produzem mais, ficam mais felizes, as coisa fluem sem atritos, etc. Isso pode ser extrapolado, ouso dizer, para qualquer situação.
Claro que em TI isso não pode ser diferente e ao meu entender possui uma dimensão mais interessante. A maioria das pessoas que trabalham com TI são pessoas que gostam de máquinas. Sim…. elas gostam de máquinas: são seus celulares, seus computadores, seus gadgets, seus video games, e o que mais vier. Poucos são aqueles que gostam de convivência. Isso é algo que para o profissional de nossa área deve ser vencido. Quanto não são os gênios que simplesmente travam quando tem que estar dentro de uma equipe? Quantos problemas temos no desenvolvimento por problemas que nada tem relação com a tecnologia e sim com as relações pessoais da equipe? .
O foco nas pessoas faz que com isso tudo se inverta e verdadeiros progressos se façam. Ao focar na pessoa, os processos se humanizam e passam a levar em consideração essa dimensão. Com isso eles se tornam mais próximos da realidade. Mas factiveis. Softwares são feitos para seres humanos, em sua maioria. E por isso, em sua concepção devem ter o foco no ser humano e não da linguagem, na máquina, etc. Isso que chamamos de experiência do usuário e que vem sendo perseguido pelos grandes players do mercado.
Antes de mais nada é válido dizer que apesar que já está a um bom tempo na estrada, por várias vezes me sinto como eles: sem saber para que lado “atirar”. Hoje, como profissionais de TI, somos bombardeados a todo momento com toneladas de post de blogs, twitters, artigos, livros, lista, etc dizendo qual será ou quais serão as próximas grandes tecnologias do momento. Frente a esse quantidade exagerada de coisas, ficamos num “mato sem cachorro” tentando dimensionar nosso tempo para investir em algo que nos garanta um bom futuro.
Mas quando falamos de caras de Java, vem logo a imagem daquele moleque andando de roupa social ou terno pelo centro do rio e trabalhando em grandes consultorias que cobram os olhos da fuça para fazer um helloworld e ainda por cima não entregam no prazo e nem perto do que o usuário queria. Antes que me atirem pedras ou coisas afins, eu sei que nem toda a culpa é da linguagem tem muito do profissional. Tendo essa perfil em mente, fica díficil converser aquele cara que ele deve aprender outro coisa. Ele não quer se esforçar muito mais e fica colocando defeito nas coisas para justificar sua preguiça.
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