Acontecimentos recentes no mercado de automóveis, de uma forma surpreendente, tem colocado em xeque o modelo da Toyota que ficou famoso se tornou uma referência em gestão e processos na última década. O pessoal que tem lido jornal tem visto esses dias várias notícias informando a enorme quantidade de recall que a fábrica toyota e suas afiliadas estão fazendo no Japão e no mundo, decorrente de erros nos seus processo de fabricação, laudos fradulentos de segurança, etc. Tudo isso colocou em dúvida a verdadeira eficiência do modelo que se tornou a nova moda dos hippies da administração e processos do mundo.

No início do século XX o mundo vivia sua revolução industrial impulsionado pela novo modelo Ford de produção em escala. Em detrimento ao maneiro artesanal e caseira da fazer as coisas que tornavam os produtos “incrivelmente caros”, agora tudo é feito em grande quantidade e de forma seriada. Surge as fábricas. Esse modelo ultrapassa o contexto industrial e começa a permear todo o comportamento social: convívios, formas de negócio, gestão e administração, etc. Tudo agora deve ser grande; gigante… Não existe espaço mais para pequenos atos. Empresa familiares dão lugar para grandes corporações, pequenos negócios de esquina agora fazem parte de cadeias de lojas e por aí seguimos.
Com a vinda da segunda guerra mundial, em nome do esforço de guerra, esse modelo de grande escala ganha mais força: tudo deve ser feito aos milhões. Pequenos defeitos e erros de cálculos são tolerados pois, estatisticamente, representam uma porcentagem infinitesimal frente ao todo. Porém do outro lado do mundo, ao final do conflito, existia um Japão arrasado, sem homens, sem recursos naturais abundantes, sem espaço, destruído por duas bombas nucleares. Nesse país um sonhador vindo de uma família de empreendedores tenta construir um futuro. Assim nasce a Toyota.
A Toyota, (diversas fontes dizem que ela foi fundada em 1937, porém acredito que a sombra da empresa que conhecemos hoje começou no pós-guerra) ao contrário da Ford (a grande Ford com suas imensas indústrias no USA) estava num contexto de escassez. Tudo faltava. Não havia aço, não havia homens, faltava tudo… Não existia espaço para desperdício. Não havia margens para erro. Usando toda a herança cultural japonesa de perfeição, a Toyota criou todo um universo de processos visando a redução e até a eliminação total de todo e qualquer processo ou coisa que não gerasse valor para o cliente final dela.
Nos anos que seguiram esse conjunto de boas práticas e regras se mostrou extremamente vencedor e hoje a Toyota é maior fabricante de carros do mundo superando de longe qualquer outra. Hoje eles são os melhores, a referência, a meta a atingir.
Assim como o modelo Ford, nos seus áureos tempos, ultrapassou os limites das fábricas para fazer parte de tudo na cotidiano das pessoas, o modelo toyota também achou seu caminho em outras áreas como administração, gestão de projetos, desenvolvimento, etc. Da década de 80 a até atuais dias passou a ser o hippie do momento, o novo frisson dos intelectuais e vanguardistas do mercado. Não tardou para que a “forma Toyota” de fazer as coisas fosse traduzida para outras realidades. Principalmente em desenvolvimento de softwares que até esse momento era predominantemente do jeito Ford com conceito de fábricas de software e encadeamento de atividades (o famigerado cascata – waterfall).
Logo nosso dia a dia de desenvolvedores e gestores de projetos deixou de ser sopas de letrinhas como PMI, CMM, RUP, UML , etc para ser JIT (Just in Time – o justo na hora certa), KANBAN, cadeia de valores, etc.
Entretanto, nos últimos anos, notícias de que a Toyota estaria fazendo recalls se tornaram frequentes nos jornais do mundo. Recall é o processo que a empresa chamada todos os usuários (compradores) de um determinado produto a o levarem de volta para consertar algo que possua um defeito de fabricação oriundo de erros de projeto, processo, etc. por mais transparente e honesto que seja o processo, ele sempre acaba manchando a reputação da empresa… Isso só fica pior quando falamos de uma empresa que “vende” que tudo que faz é perfeito (isso também vem da própria cultura japonesa). Tais fatos sairam do ambito da economia para entrarem no ambito da gestão, pois muito se vendeu nos últimos tempos que o processo Ford não funciona e que a salvação era o Sistema Toyota.
Seguidores estão em panico pois tais fatos colocam em xeque seu grande salvador. Mas será que realmente que esses acontecimentos são o sinal que esse processo não é tão bom quanto pensávamos? Será que devemos procurar um novo jeito? Será que devemos voltar ao que “funcionava” antes? E agora quem poderá nos ajudar?
Confesso que gostaria de ter essa resposta mas acho que somente o tempo dirá, embora, acredite numa máxima de Buda : ” o caminho sempre será o equilíbrio” . Possívelmente esse seja um processo pelo qual o mercado precise passar para deixar de criar “balas de prata” e passe a usar a inteligencia de seus profissionais para resolver cada problema. Não existe solução única. Existe é inteligência, criatividade e vontade de evoluir.
Agora tais problemas também podem ser culpa de um processo mal gerido de crescimento onde os atuais administradores da empresa esteja rompendo com as bases culturais que nortearam a empresa até hoje. Eu vi um processo semelhante a esse acontecer dentro da michelin com a morte dos herdeiros naturais da empresa. Por isso, mais uma vez a cautela e prudência são as melhores amigas nesse momento ao analisar os fatos.
Penso que é preciso olhar com a mente aberta aos fatos e se permitir questionar. Fé cega a gente deixa para as religiões.
Se considerarmos que objetos não possuem métodos ou funções( função me parece tão modular e não OO) e sim “portas de entradas”. Essas portas são como caixas de correio por onde enviamos e/ou recebemos mensagens com pedidos ou informações. Para ficar mais fácil de entender, imaginemos a situação de uma grande rede de lojas. Esse grande rede possui diversas lojas, que possuem diversos produtos e clientes. De cara, podemos dizer que temos 3 entidades : Cliente, Produto e Loja.
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